“Quem não se interessa pela política
condena-se a ser governado pelos que se interessam”.(Toynbee)
1ª AULA I
Professora Anelise Botelho
•
Apresentação do curso. Orientações gerais.
• Metodologia de Ensino / Atividade Discentes
- Aulas expositivas, enriquecidas com exemplos práticos, debates, discussões de
idéias e manifestações dos alunos. Pesquisa sobre temas pertinentes, análise de
textos; discussão e exposição em sala de aula dos trabalhos individuais e
coletivos; Elaboração de trabalhos orientados; Leitura de livros e periódicos;
Participação em palestras, seminários e conferências com especialistas.
•
Obras básicas do curso: Elementos de Teoria Geral do Estado, de Dalmo de
Abreu Dallari (ed. Saraiva);
Constituição da República Federativa do Brasil (ed. Atlas ou Saraiva).
- Leituras Recomendadas
:
1-
AGOSTINHO, Santo - A Cidade de Deus.
2- PLATÃO -
A República.
3- HOBBES,
Tomás - Leviatã
4-
MAQUIAVEL, Nicolau - O Príncipe.
5-
ARISTÓTELES - Política.
•
Leituras
obrigatórias para o semestre:
O CASO DOS EXPLORADORES DE CAVERNAS - Inspirado pela magistral obra do Professor
Lon L. Fuller da Harvard Law School intitulada O caso dos exploradores de
Cavernas, e traduzida para o português pelo Professor Plauto Faraco de Azevedo
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O CASO DOS
DENUNCIANTES INVEJOSOS – DIMOULIS, DIMITRI
- Introdução prática ás relações de direito, moral e justiça, com a tradução de
texto de Professor Lon L. Fuller , parte da obra The Morality of Law – Editora
Revista dos Tribunais
·
Instruções gerais: O aluno deverá
apresentar um resumo dos livros, acima citados, com o mínimo de 5 laudas, cada
um, manuscrito e entregar no dia da aula de Ciência Política que anteceder a data
da prova AB.
Critérios de Avaliação/Instrumentos:
1-
Instrumentos Regimentais: Prova – Peso: 8,0 pontos; Trabalho (apontado pela
professora) – Peso: até 2,0 pontos.
Introdução ao Estudo da Ciência Política:
A Ciência Política
estuda particularmente, as relações de poder que envolvem o Estado, ou seja, a
Ciência Política aborda a questão do Estado a partir da estreita relação deste
com os homens sociabilizados. Ou mais claramente: somente podemos entender o
Estado, se entendermos a sociedade.
A disciplina fornece um estudo
sistematizado sobre o fenômino estatal, desde seu surgimento, funcionamento,
finalidade e objetivos.
Mas o que é política? O termo política tem, no
mínimo, duas grandes vertentes interpretativas, das quais decorrem definições
mais precisas, de acordo com o autor: a primeira, deve sua expansão
principalmente à obra, intitulada "Política" de Aristóteles,
concebe, a política, como toda prática social que envolve a vida na pólis (cidade-estado
grega). Ou seja, refere-se ao público, ao civil, ao sociável. A segunda
vertente, mais familiar ao cidadão comum, refere-se aos estudos e práticas mais
diretamente relativas ao Estado. Obviamente, a interpretação brechtiana
insere-se dentro da primeira vertente, que, assim como Aristóteles, entende que
o "homem é, por natureza, um animal político" e que, portanto,
a política não está restrita às questões do Estado. É muito mais
abrangente que o mesmo. Na verdade, só podemos entendê-la, se compreendermos as
relações sociais na sua totalidade, das quais resulta um tipo particular de
Estado.
É,
pois, a partir deste instigante ponto de partida, no qual a política é
compreendida como uma prática social múltipla e cotidiana, que se insere na
realidade de todo e qualquer homem sociabilizado.
Segundo Bertolt Brecht (poeta/dramaturgo), ignorar a política
é ignorar, na essência, a compreensão da totalidade das relações que todo ser
humano sociabilizado vivencia, nas suas mais abrangentes expressões sociais, sejam
elas profissionais, afetivas, econômicas, religiosas, familiares etc.
Bem
vindos!
2ª AULA I
Evolução Histórica / Conceito de Ciência
Política
Professora
Anelise Botelho
Para Aristóteles
a política deveria estudar a pólis
e as suas estruturas e instituições. É considerado o pai da ciência política,
porque considerou a política a ciência “maior”, ou mais importante do seu
tempo. Criou, ainda, um método de observação que permitiu uma sistematização e
explicação dos fenômenos sociais. Preocupava-se com um governo capaz de
garantir o bem-estar geral (o bom governo).
Antes de Aristóteles, seu mestre Platão, relata a teoria política de Sócrates no
livro A República, em que se posiciona criticamente frente à democracia direta
grega, e propõe um regime no qual “os reis fossem sábios e os sábios fossem
reis”.
Para
ele o primeiro
e fundamental problema da política é que todos os homens acreditam-se
capacitados para exercê-la, o que lhe parece um grave equívoco, pois ela
resulta de uma arte muito especial.
Distingue então três tipos
de artes:
1 - aquelas que ele chama de auxiliares (que podemos classificar como as de ordem técnica, como o artesanato, o pastoreio, etc...);
2 - em seguida vem as artes produtoras (o plantio, a tecelagem, o comércio, etc..), e por último:
3 - a arte de saber conduzir os homens, que seria a política propriamente dita, superior a todas as out
1 - aquelas que ele chama de auxiliares (que podemos classificar como as de ordem técnica, como o artesanato, o pastoreio, etc...);
2 - em seguida vem as artes produtoras (o plantio, a tecelagem, o comércio, etc..), e por último:
3 - a arte de saber conduzir os homens, que seria a política propriamente dita, superior a todas as out
Na
época medieval com Santo Agostinho e São Tomás de Aquino (1225-1274), predomina a ética crista baseada no
amor ao próximo, com noções gregas de que a felicidade é um objetivo do homem e
a pratica do bem constitui um meio de atingi-la. Os filósofos cristãos entendem
que Deus é o princípio da felicidade e da virtude.
Já
na época moderna teve como sua maior expressão o italiano, Nicolau Maquiavel
(1469-1527). As crises
religiosas do século XVI colaboraram para impor os poderes monárquicos
absolutistas como razão de paz. Maquiavel, Jean Bodin, J.Bussuet, Thomas
Hobbes e outros desenvolveram diferentes teorias que justificam o absolutismo.
Maquiavel e a sua obra O Príncipe, dão origem à modernidade política. A
sua preocupação era a criação de um governo eficaz. Defende um príncipe ou
dirigente de governo sem preocupações morais ou éticas, um dirigente que não
olha a sensibilidades para atingir os seus fins. A política era assim a arte de
governar, ou seja, uma técnica que permitisse ao dirigente ou governante
alcançar os fins independentemente dos meios, não visa à realização geral, mas
sim pessoal.
A partir da segunda metade do século
XVIII, a investigação dos fenômenos políticos começaram a perder terreno e a
dar lugar a ciências como à sociologia, o direito e a economia. Embora a
ciência política não tenha desaparecido.
Os
principais filósofos passam a discutir a ética:
- O francês Jean-Jacques Rousseau
(1712-1778) O homem é bom por natureza e seu espírito pode sofrer um
aprimoramento quase ilimitado. (“O homem nasce bom; a sociedade o corrompe”)
- O alemão Emmanuel
Kant (1724-1804) A ética é a obrigação de agir segundo regras universais
com as quais todos os homens concordam. O reconhecimento dos outros homens é o
principal motivador da conduta individual.
- O alemão Friederich Hegel (1770-1831)
Transforma a ética em filosofia do direito e a divide em duas:
subjetiva ou pessoal (consciência de dever) e ética objetiva ou social
(costumes, leis e normas de uma sociedade).
Em
1896 aparece um marco na história dessa nova ciência: Gaetano Mosca publicou a primeira edição dos Elementi de Scienza Política.
Surge aí academicamente a Ciência Política.
CONCEITO
São inúmeras as definições para o termo Ciência Política. Não podemos porém,
deixar de lado os ensinamentos dos clássicos gregos. O termo “polis” que pode significar arte de
governar. Idéia de como os antigos gregos cultivavam o hábito da
organização do Estado no seu mais alto patamar. O caráter político estava
explícito neste papel, que tinha como conseqüência o desenvolvimento da
cidade-estado e a melhoria de condições de vida de seus cidadãos.
Em
1513 Maquiavel em “O Príncipe”, desloca o centro das atenções políticas para a obtenção e manutenção do
poder, e fazendo uma evocação à democracia como nos moldes dos antigos
clássicos, falava da necessidade
imperiosa do governante estar em sintonia com o povo que governa: “Mas que se
tornar príncipe contra a opinião popular, por favor dos grandes, deve, antes de
mais nada, procurar conquistar o povo”.
Mais
tarde Thomas Hobbes, com “O Leviatã”,
valorizava o poder do estado através do poder da política, embora absolutista,
valorizava o jusnaturalismo (adeptos da teoria do Direito natural) de inspiração grega.
No século XVIII, Montesquieu, em pleno iluminismo, difunde idéias
políticas que têm por base a ação humana. Faz a distinção entre república,
monarquia e despotismo, afirmando que este último deveria ser erradicado.
Montesquieu apresenta a
teoria da separação de poderes, de forma que o poder seja descentralizado das
mãos de uma só pessoa para que não o use em proveito próprio.
Para Max Weber, sempre atrelado ao
poder, o conceito de política seria realidade até mesmo quando o estado se
transformaria na única fonte do “direito” à violência:
”Por conseguinte, entenderemos por política
o conjunto de esforços feitos visando a participar do poder ou influenciar na
divisão do poder, seja entre estados, seja no interior de um único estado”.
Segundo Weber
o poder estatal em sua legitimidade
dá-se através da tradição(hereditariedade – Rei), do carisma(Gandhi) ou da
racionalidade legal (escolha, sufrágio = voto).
Só
após a Segunda Guerra Mundial, a ciência política volta a ganhar relevo e a
tornar-se também uma disciplina autônoma nos quadros das universidades
européias. Além disso, ganha força a análise de sistemas eleitorais, e também
do comportamento do eleitorado.
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